quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres tomam conta da justiça brasileira


Comemoração do dia da mulher no Mais Você. O programa desta quinta, 8 de março, falou sobre jovens mulheres que tem chamado atenção e entram em um mundo competitivo, tradicionalmente masculino, como a justiça brasileira.
“O Brasil está cheio de mulheres ilustres e não precisa ser formada ou letrada para ser ilustre, basta ser uma cidadã de bem”, analisou Ana Maria Braga.
Juízas, promotoras e advogadas estão dando uma cara nova à justiça brasileira. A repórter Nadia Bochi conversou com algumas dessas jovens cheias de poder para entender o que elas querem e como se sentem quando tomam decisões que podem mudar a vida das pessoas. “Embora a experiência de vida seja menor do que os mais velhos, mais experientes, acho que esta motivação e este ideal fazem com que a gente desempenhe a função dando o melhor de si”, opinou a promotora Fernanda Chuster Ferreira.

Ana Maria Braga recebeu no programa desta quinta uma mulher que chegou a um dos mais altos postos da magistratura. A juíza Eliana Calmon, que é ministra do superior tribunal de justiça, desde 1999, hoje é Corregedora Nacional de Justiça. “Tive a chance de chegar a um momento em que a havia a eleição para a corregedoria. A minha antiguidade foi suficiente para que eu pudesse chegar a este cargo e eu queria muito”, informou.

Conhecida como a juíza sem papas na língua, Eliana Calmon foi responsável por uma das maiores crises no judiciário brasileiro, no ano passado, ao declarar que existiam bandidos de toga dentro do sistema. “Sempre tive um discurso direto e sempre optei por ser transparente. As pessoas sentem quando estamos falando com sinceridade e acho que isso é fundamental na vida pública.”, declarou.

Ana Maria comentou uma declaração da juíza na época em que dizia que estava dizendo os nomes e com isso, se sentia livre e liberta a não prestar favores a estas pessoas. “Houve uma crítica generalizada. Mas achei que era necessário. Perguntaram se tive padrinhos políticos e eu disse que sim. Algumas pessoas não entenderam, mas depois me deram razão por falar demais. Estamos na era da informação, não se esconde nada. O tempo todo estamos sendo seguidos por câmeras. Não existe privacidade”, analisou.

Com 66 anos, a baiana tem uma carreira que é inspiração para qualquer pessoa que queira abraçar esta profissão: formou-se advogada em 1968 e diz que um dos principais momentos da carreira foi a eleição para o cargo de corregedora nacional de justiça. Ela é a segunda mulher brasileira a ser nomeada para o STJ - Superior Tribunal de Justiça. “Tenho encontrado juízes muitos jovens, mas muitos estão comprometidos com a magistratura e isso me anima muito. Esse magistrado jovem me fascina. E quando vejo as mulheres, fico ainda mais entusiasmada”, disse.

A primeira juíza brasileira tomou posse em 1954. O nome dela era Theresa Grisólia Tang e exerceu seu cargo em Santa Catarina. Ela morreu em 2009.

Frases polêmicas da juíza Eliana Calmon
“Vou continuar a fazer meu trabalho. Doa a quem doer, goste quem gostar. A ideia de que o magistrado não precisa se preocupar com as consequências daquilo que decide, ficou no passado."

"Luto pela magistratura séria, e que não pode ser confundida, nem misturada com meia dúzia de vagabundos infiltrados."

"A magistratura séria, decente, não pode ser misturada com meia dúzia de vagabundos que se infiltraram na magistratura".

Ministra mostra que é boa na cozinha
A ministra declarou que cozinhar é química e que não se sente inferior por gostar da cozinha, porque os homens já chegaram neste cômodo da casa. Eliana Calmon gosta tanto de inventar, que lançou a nona edição do seu livro de culinária com receitas especiais.

Ana Maria Braga provou uma das receitas do livro, a Torta Mousse de Chocolate, aprovou e perguntou como a ministra consegue ter tempo para fazer tantas coisas. “Sempre a gente acha um tempinho com as coisas que faz bem à alma. E acho que a culinária é uma delas”, declarou Eliana Calmon.

Confira aqui o passo a passo da receita de Torta Mousse de Chocolate!

Mais Você cita mulheres importantes do Brasil que já estiveram no programa
A juíza Eliana Calmon se junta a uma série de nomes importantes que já passaram pelo Mais Você. Entre eles, a presidente Dilma Roussef, no ano passado, a desembargadora Maria Berenice Dias, Dona Zilda Arns, que foi a incansável coordenadora nacional da Pastoral da Terra, a embaixatriz Lucia Flecha de Lima, a escritora Lia Luft, dona Canô Veloso, que criou 8 filhos entre eles Caetano e Bethania.

Bibi Ferreira e Fernanda Montenegro também estiveram no Mais Você e representam uma importante galeria de grandes atrizes brasileiras. Um outro nome de mulher ilustre que o Mais Você não pode deixar de mencionar é o da juíza Ellen Gracie. A jurista brasileira que ocupou pela primeira vez o cargo de ministra do supremo tribunal federal (2000/2011). Hoje, a ministra está aposentada.

Justiça Patrícia Acioli: morta no combate ao crime
No ano passado, o Brasil ficou chocado em saber da notícia da morte de uma juíza que fazia a diferença no Rio de Janeiro: Patrícia Acioli. A magistrada foi morta no dia 11 de agosto do ano passado, com 21 tiros, quando chegava em sua casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ela tinha 47 anos e três filhos.

Patrícia tinha um histórico de condenações contra criminosos que atuavam em São Gonçalo. Entrem os alvos investigados por ela, estavam quadrilhas que agem na adulteração de combustíveis e no transporte alternativo, entre outros crimes.
As investigações apontam que a ordem para o crime teria sido do tenente-coronel Cláudio Oliveira, na época comandante do batalhão de São Gonçalo, cidade onde Patrícia atuava como juíza criminal. Ao todo, onze policiais militares foram denunciados pelo ministério público como participantes da morte da magistrada.
Fonte: Programa Mais Você
Imagem: Arquivo Google

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