quinta-feira, 29 de março de 2012

Presos dormem no chão em delegacia de Aracaju (SE)

                                                  
Inspeção do Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em Sergipe, realizada nesta quarta-feira (28/3), constatou que a maioria dos presos da 4ª Delegacia Metropolitana de Aracaju dormem sobre toalhas. Os demais dormem no chão. O problema se deve à falta de estrutura da

unidade para acolher presos. A proibição de levar colchões ou colchonetes para os presos, feita pela direção aos familiares dos detentos, só piora o quadro.
“Eu não me enxugo depois do banho para não dormir depois sobre uma toalha molhada”, afirma um homem que vive na unidade há três meses após ser preso com sete porções de maconha, segundo ele próprio. A juíza coordenadora do Mutirão Carcerário em Sergipe, Ivana David, definiu a situação como insustentável. “Vou pedir a interdição da delegacia no relatório deste mutirão”, antecipou a magistrada.

 
A insalubridade também se nota no interior das três celas onde se amontoam 31 homens. O lugar é acanhado e escuro a qualquer hora do dia. À noite, não há iluminação. “O banheiro fica no meio da cela. Temos de fazer nossas necessidades na frente de todos (os colegas de cela)”, afirmou um jovem de 20 anos, que divide a cela com outros 10 homens, mais velhos na maioria.

 
Para se lavar, é preciso ser rápido. Segundo relatos dos presos, só há água nos dois chuveiros durante alguns minutos do dia. “Banho só se for de dois minutos. Não dá nem para lavar uma roupa”, relatou um detento da cela 3. Nos finais de semana, a falta de agentes penitenciários mantém os presos trancados nas celas, sem direito a banho de sol. “Aí, banho, só na segunda-feira”, completou um colega de cela.

 
Desde segunda-feira (26/3), a juíza inspeciona as unidades prisionais do estado ao lado do juiz Ulysses Gonçalves Jr., com quem divide a coordenação dos trabalhos. A mobilização deve durar até a próxima terça-feira (3/4), data prevista para conclusão dos trabalhos.

 
Fonte: Manuel Carlos Montenegro
Agência CNJ de Notícias

 

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